Mariposas da Luz Azul
Publicado em: 17 de Abril, 2026
Um quarto escuro.
Uma televisão antiga tenta iluminá-lo, porém, está tão sonolenta que não consegue parar de piscar sua luz azul... No chão há um buquê de flores amassado, algumas moedas, um óculos e sapatos.
Há também outra coisa nesse chão. É brilhante — parece ser feito de metal. Com a oscilante luz da televisão, descubro que o que há ali é, na verdade, uma arma.
"Se tem arma, tem sangue", é o que mamãe sempre dizia. Decido deixar a arma de lado, pois ela me dá medo, embora eu não tenha achado sangue algum...
"Que lugar estranho", penso. Parece ser estranhamente vazio, só consigo enxergar a televisão e o que parece ser uma cama alta atrás de mim. Me sentindo cansado, decido escalar a cama. É dura. Ao chegar no topo, acabo encostando minha mão em algo frio, parece ser um pé?
"Olá, senhor pé...", cochichei. De quem será esse pé? Decido investigar. Deslizo minha mão por ele e sigo até a canela. Sinto uma mudança na textura, deve ser roupa. Tão macia, mas parece estar molhada.
Continuo explorando, passando pela perna e chegando na barriga. Tenho certeza de que deve ser um vestido!
Enfim chego no que parece ser o pescoço, mas não há nada depois disso. Que estranho... mas não importa. Decido brincar com o que parece ser um colar de pérolas. O cheiro aqui é bom, embora familiar...
Com um estrondo assustador, a porta se abre de repente.
— Mãos para o alto! — gritam enquanto carregam armas nas mãos.
Me assusto e acabo caindo da cama. A luz é acesa e machuca os meus olhos. Me sinto sonolento...
— Mas o quê... — o policial murmura, hesitante.
Ele olha ao redor e encontra o corpo morto da vítima em cima da cama. Nas paredes, há marcas, buracos e sangue — muito.
"O que diabos aconteceu...", ele pensa.
Sua experiência o cega do peso da violência que ocorreu aqui, mesmo que suas mãos estejam tremendo. Talvez seja adrenalina, talvez seja o medo se instaurando lentamente. Contudo, nem mesmo alguém tão calejado consegue manter a compostura ao ver uma criança desacordada e ensanguentada caída no chão.
Será que essa na cama é sua mãe?
De toda forma, é possível saber que, no dedo anelar dessa mulher sem rosto, havia restado apenas promessas vazias....
Por fim, a televisão continua ligada. Seu brilho aos poucos aumenta.