Continuamente

Publicado em: 6 de Julho, 2026


De manhã, perdi minha vida. Ao entardecer, renasci. Uma vida de peregrinação Rumo um troféu ignóbil, Que reina somente na imaginação. No décimo quarto aniversário Me dei de presente Um colar de ouro, Esperando me levar a um brilho Mais claro que o de ouro. Disfarçando lágrimas Sob pétalas rosas De um céu dourado, O fio se rompe. Falha, Seguida de cicatrizes. Dez anos depois, Com os olhos marejados, Aprecio o horizonte A algumas dezenas de metros por segundo. O erro mais lindo Que atirou-me no chão; Embora o nome, esqueci-me. Lábios mutilados Por tanto mentir. Corpo inundado Por nada sentir. Relembro os fios brancos em meu Pai. Contemplando, choro, Inundando... Pequenas fagulhas— Frias, como agulhas— Em minha pele, mergulham. Batizado forçado sob a chuva Que despenca do céu cinza. Nuvens de fumaça Saindo das fábricas de desgraça. Um horizonte coberto por chaminés; Fúnebres e frias fábricas... O que constroem? O que fabricam? Tão silenciosas... Ao levantar-me da poça, Por fim, escuto o canto dos pássaros E a natureza floresce como moça. Ao meu redor, o labirinto se levanta E percebo estar no meu altar; Nem céu, nem inferno. Caminhando pelo labirinto vivo E, cegado pelo brilho, Noto ainda estar vivo; Percebo minha própria assinatura Naquilo que esqueci ter construído. "Mais uma vez."
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